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Sobre PEGOU AMOR

Esse texto pode (ou não) apontar fruições, mas ao final o que fica é o sensível gerado na cumplicidade entre as obras e você, espectador. Por isso, com intuito de fortalecer os cúmplices, invoco as palavras do próprio artista, Everton David, dizendo que faz “tessituras entre o gesto amoroso e os traumas afetivos”. E confidencia (ou intenciona) “revelar sujeitos permeados por sentimentos fragmentados em incertezas(...)”.

 

A exposição estende a mão, num claro gesto, de convite a dança. Quais incertezas pesam sobre o sim? ...peço licença e aceito o convite, eis minha cumplicidade em forma de sentenças como: ‘o tom da dissonância’, ‘o aperto no passo’, ‘a disritmia’, ‘o ausenciar presenças’ são metáforas a ecoarem das obras de “Pegou amor”.

 

A licença poética nos permite pegar o amor em desenredos e diluí-lo na vida. E se nos é permitido tecer metáforas, para entender melhor os ecos e contornos de nossos sentimentos, também podemos voltar o olhar para a construção de sentidos e perceber o quanto cativamos nossas ausências e deslocamos nossas certezas…

 

Boa exposição!

Por Flaw Mendes

Individual 'Pegou amor'

Banco do Nordeste Cultural, Juazeiro do Norte, 2019

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