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Da revolução dos brotos

Influenciado pelas experiências de infância em uma família de agricultores do município de Arara, na Paraíba, Everton David utiliza o curto ciclo de crescimento dos brotos para destacar a eficiência e a simplicidade da produção alimentar em pequena escala. Seu trabalho serve tanto como uma crítica à agricultura industrial quanto como uma valorização da agricultura familiar.

A exposição “Território Fértil” é uma investigação poética da agricultura. Com nove séries distintas de obras, o artista convida os visitantes a se envolverem com temas de sustentabilidade e da complexa relação entre as pessoas e a natureza. Trabalhos anteriores de Everton David, como Hectares (2022) e Sem título – Baraúna das Araras (2022), também se aprofundam nesses temas interligados.

Ao reimaginar as práticas agrícolas, o artista levanta questões importantes sobre desafios que surgem decorrentes de dietas desequilibradas e da insegurança alimentar, incentivando a reflexão sobre como estas questões se cruzam com as preocupações ambientais e a expressão artística.

O cultivo de alimentos nem sempre fez parte da experiência humana. Inicialmente, dependíamos da caça e da coleta. Desde a invenção da agricultura, selecionamos artificialmente as melhores características, como frutas mais doces e com menos sementes. “Território Fértil” também explora essas seleções, perguntando quais são os melhores brotos para determinados fins. O processo meticuloso de germinação de sementes de chia, gergelim, linhaça, agrião, entre outras, envolve um controle cuidadoso da água, da iluminação e do solo, criando uma exibição viva que evolui com o tempo. Os visitantes são incentivados a regressar em diferentes etapas para testemunhar o crescimento e a transformação dos brotos, enfatizando a natureza cíclica da vida e o seu potencial de renovação.

Por Rita do Monte

Individual 'Território Fértil'

Galeria Archidy Picado, João Pessoa, 2024

© 2025 feito por ETC. Produção Cultural

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